jeudi 24 septembre 2009

Reticências

Drês - Nando Reis

Três dias atrás
Tudo era diferente
Três dias pra frente
Nada vai ficar igual
E eu tenho medo

É longe demais
Leva muito tempo
Ficou aqui dentro
Não some nunca mais
Foi muito cedo

Somos vegetais
Da flor a semente
Há pedra na gente
Efervescentes minerais
De ouro e vento

Terrenos mortais
Eternos no presente
Impérios latentes
dos tempos ancestrais
sonho e segredo

Três dias a mais
Todos drês e urgentes
Três dias somente
Poucos mas fundamentais
Eu te desejo

mercredi 23 septembre 2009

Do tempo e das pessoas


A idade não serve para nada. Nós, sempre acostumados com o processo de etiquetagem, nomeamos tudo e classificamos tudo aquilo que pudemos. Ontem tinha 25 anos, hoje estou velho porque tenho 26. Ora, poupe-me; isso mais parece um motim para um conto fantástico à la Théophile Gautier. Somos jovens demais para isso e tão velhos para aquilo... Faça isto, não faça aquilo...

Pior que esta 'pasta de repartição pública' onde separamos as pessoas pelo tempo vivido, é a ignorância do aproveitamento que é feito desses anos que passam. Compliquei? Vamos lá, eu explico. Aliás, essa é minha função mesmo...

Passei anos com colegas de escola e só depois de termos nos separado (faculdade, trabalho, e os etc. que aparecem com o tempo) tivemos a necessidade de nos reencontrar. E a relação até ficou melhor, acreditem! Não falamos mais sobre a questão 7 da prova de Física, resolvemos falar de nós mesmos. Por que o patinho é tão branco numa água tão suja?; Demos desconto aos homens que não planejam nada com antecedência; Essa construção é um pagode?; Já tomaram chocolate em Santa Tereza?; Só estou fazendo meu projeto final; Ai, tua saia é linda! Pois é, peruices, camaradagem e a vida é isso aí. Pessoas que me acompanharam por tempos. E que aos poucos reapareceram para colorir minha vida.

E na arte de ensinar, acabei aprendendo: a reconhecer tipos de naves de igreja e a saber que radio em francês é feminino como já foi em português (radiola). Conheci os vários tipos de uniforme militar e em que ocasiões são usados, bem como as várias missões do Cisne Branco e suas aventuras around the world. Acabei gostando do barulho que as espadas fazem na esgrima e nem me importava mais com as cornetas e sirenes no meio da aula. Descobri também a fonte musical das estilistas fashionistas que nos fazem sentir umas bonequinhas! Entretanto o que mais gostei foi aprender a lidar com o processo de aquisição de conhecimento e maturação intelectual de cada um... Como as pessoas nos surpreendem quando caimos na tentação de etiquetar...

Aquele cujo nome desconheço e que nunca lerá isto, talvez foi o mais impressionante de todos: Apesar de um não saber quem o outro era, a conversa foi sobre Jô Soares, recursos midiáticos em venda de produtos, exploração do trabalho infantil... Ok, você venceu, até aí é banal. Mas eu ainda não disse que ele era alto, forte e discutiu sobre todos os tipos de balé comigo. Falamos sobre sonhos ornados de violino, bailarinas e capoeira. Os números e signos, essas bobagens também apareceram. E foi uma conversa deliciosa. Duas horinhas que não esquecerei (esqueceremos?).

Enfim, a idade só existe para você refletir o quanto já viveu e se até então tem valido a pena. Escondê-la com cremes, para quê? Cada manchinha que aparecer será bem-vinda se cada uma lembrar-me de momentos felizes e de pessoas boas que me fizeram sorrir.


p.s.: Adoro cremes, não interpretem ao pé da letra!

Tela Operários, de Tarsila do Amaral.

jeudi 17 septembre 2009

Crescendo


Único e inteiro
ser este sou
no tempo que voa ligeiro

Lamartine (1) apedreja
e o lago se desfaz
em círculo que solfeja

um Bolero (2)
um progressivo crescendo
um torcendo por todos
todos torcendo por um

Rodopia como piparote
a vida solta no ar
voa sempre mais forte

É crescendo que se aprende
a viver
a torcer
a amar
a dançar.

(1) http://folhetim.tripod.com/lamartine.html
(2) Bolero de Ravel, coreografia de Maurice Béjart

vendredi 21 août 2009

The best of me

Uma confissão
Um desabafo
Acho
Coração
Se despedaça
Uma só vez
Tudo acaba
De repente
Como começou

Despeço-me de teus presentes
E recusarei teus favores
Viverei mais contente
Sem mendigar amores

Amores que recebi
E outros também.
Elogios que ganhei
E outros também.

Depois de tanto relutar
é uma vitória aceitar
esse jogo de sociedade.

jeudi 13 août 2009

Miss Tic (Tac)


Três quartos de hora
e horas inteiras
cheias de espaço vazio.

Embora se vão
descendo a ladeira
caindo no rio

Do tempo...

Tempo cujas águas
passam e não voltam mais

Tempo é rio de água doce
e salgada também.

Tempo é água que foge das mãos

Então... "soyons heureuses en attendant le bonheur!"

Foto: Grafite de Miss Tic em Paris

vendredi 7 août 2009

Miss Tic






"Desilusão... desilusão, danço eu,

dança você

na dança da solidão."







Foto: Grafite de Miss Tic em Paris

jeudi 30 juillet 2009

Wishful thinking


I'm still living lonely
Like a stranger lost in myself
Like a newborn in a new family
Like a leaf in autumn

But I'll find me
in you
in our promises.



Tela de Edward Hopper

lundi 20 juillet 2009

Nós três

De papo pro ar
de papo com ele
papo longo....

Vista pro mar
De olho nele
Bela paisagem...

Sempre o mar
Os três, ele, o mar
e Ana.


Foto: Arquivo pessoal

mercredi 8 juillet 2009

Feels like I'm living someone else's life

I was wandering in the rain
Mask of life, feelin’ insane
Swift and sudden fall from grace
Sunny days seem far away
Kremlin’s shadow belittlin’ me
Stalin’s tomb won’t let me be
On and on and on it came
Wish the rain would just let me be

How does it feel
(How does it feel)
How does it feel
How does it feel
When youÂ’re alone
And you’re cold inside

Here abandoned in my fame
Armageddon of the brain
KGB was doggin’ me
Take my name and just let me be
Then a begger boy called my name
Happy days will drown the pain
On and on and on it came
In the rain, and again, and again
Take my name and just let me be

Like a stranger in Moscow
(Lord have mercy)
Like a stranger in Moscow
(Lord have mercy)
We’re talkin’ danger
We’re talkin’ danger baby
Like a stranger in Moscow
We’re talkin’ danger
We’re talkin’ danger baby
Like a stranger in Moscow
I’m livin’ lonely
I’m livin’ lonely, baby
A stranger in Moscow

KGB Interrogatory (Russian to English translation):
“Why have you come from the West? Confess!
To steal the great achievements of the people,
the accomplishments of the workers..."

Stranger In Moscow - Michael Jackson

Telas de Edward Hopper

mardi 7 juillet 2009

Câmera, sombra, ação!


Céu encoberto
sol com nuvens
sombra
você e eu
na luz.


Foto: Arquivo pessoal

dimanche 21 juin 2009

Ana e o Mar


Quando o mar
chegou (!),
Ana riu,
se abriu,
sorriu.

Chegou (!), esse mar
e Ana
a cantarolar
cantigas de roda
que rodopiam no ar.

Vento nas asas
voam
Vêm e vão
de avião.

O mar que traz
Sabe o que faz
com Ana.
Ela ri,
se abre e sorri.

Essa Ana!

E o mar se revolta,
diz que faz onda
pra ter Ana de volta.

E nesse vai e volta
E nesse vai e vem
Ana e o mar
provam que amor têm.
Ah, têm!

Tela de Renoir, Au bord de la mer

jeudi 11 juin 2009

Ilumine



Na aurora
que docemente chega
lá fora
eu aqui dentro
sinto frio.

Mas vejo-te na janela
brandos passos
se aproximam quentes
como arrepio.

Abrasador
Abrasa a dor
da saudade
Porque
O amor aqui dentro mora
Agora.

(continuação de Inunde )

Uma amante latina

Se não há sol, fiat lux.
Se há nós dois, sui generis.
Se há amor, nihil obstat.
E porque eu te amo, uti, non abuti!

Luz, ação!

E lá se vai mais um dia
E com ele o sol
E na porfia
De querer que dia seja noite
E que eu seja você,
Beijos são açoite
Para luz,
câmera,
ação.

dimanche 7 juin 2009

Do amor e da eternidade


Se é para existir,
que seja vida

Se é para ser vida,
que seja vivida

Se é para ser vivido,
que seja amor

Se é para ser amor,
que seja eterno

Se é para ser eterno,
que seja com você

Se é para ser com você,
Que a vida seja vivida eternamente com amor.

samedi 6 juin 2009

Ela não é uma mulher de verdade


Ela não tem pernas
não tem sorriso
tem enigma
impreciso

Ela não tem família
não tem religião
tem uma moldura
que não cabe em suas mãos

Ela não tem relógio
não tem tempo
tem idade
correndo com o vento

Ela não é uma mulher de verdade
não é de verdade.
De verdade.

samedi 23 mai 2009

Céu & Celso Fonseca

Uma espécie de diálogo entre os cantores Céu e Celso Fonseca, cujas músicas são Malemolência e Queda, respectivamente.


Ela: Veio até mim
Quem deixou me olhar assim
Não pediu minha permissão
Não pude evitar
Tirou meu ar, fiquei sem chão

Ele: Eu sei, ela tem uma queda por mim
Pelo menos eu acho que sim
Mas eu finjo que nem ligo

Ela: Menino bonito
Menino bonito ai
Ai menino bonito
Menino bonito ai

Ele: Sim ela sabe, eu também tenho alguém
A quem chamo feliz de meu bem
Que está sempre comigo
Não, eu não vou bagunçar minha paz
Nem a dela e a do seu rapaz

Ela: É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai
Vem pra roda da malemolência
Menino bonito

Ele: Amamos nossos namorados
Isso não dá pra mentir
Afinal, nós não somos sacanas
Somos gente bacana
Somos seres do bem

Ela: O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança cai

Ele: Mas que eu queria eu queria


Ela: Vem pra roda da malemolência

Ele: Só um pouquinho eu queria
Assim pra ver eu queria

Ela: Chegou de mansinho, bem devagarinho

Ele: Mas vamos deixar pra lá
Vamos deixar pra lá


Ela: Ô menino, não faz assim

Ele: Então, quando às vezes, a gente se vê

Eu disfarço meu louco querer

E ela finge que nem imagina

Ela: Ô menino, não faz assim
Que eu lhe dou todo o meu carinho

Os livros

Atire a primeira pedra quem nunca cantou uma mesma música mil vezes sem parar! Pois bem, eu estou nesta fase... talvez porque ela traduza o que os pôres-do-sol do mês de maio fazem com meus olhos...

Mensagem de amor
(comp: Herbert Vianna)

Os Livros na estante já não tem mais tanta importância Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado, Só pra ler, no seu rosto Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor A noite eu me deito, então escuto a mensagem no ar Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado, Só pra ler no seu rosto Uma mensagem de Amor Os Livros na estante já não tem mais tanta importância Do muito que li, do pouco que eu sei, nada me resta A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar, ao seu lado, Só pra ler, no seu rosto Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor A noite eu me deito, então escuto a mensagem do ar Vagando entre os astros, nada me move nem me faz parar A não ser, a vontade de te encontrar O motivo eu já nem sei, nem que seja só para estar ao seu lado, Só pra ler no seu rosto Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor Uma mensagem de Amor